sexta-feira, 22 de março de 2013

De caso com o meu vizinho


Nada, nada mesmo, durante toda a minha vida, me preparou para isto.

Explico melhor: nunca tive uma relação mais próxima com os meus vizinhos. Sempre fui distante e de poucos fiquei sabendo o nome, o que faziam, de onde vieram.

Sempre acreditei que esta distância foi provocada pela ausência de crianças na minha casa. Não são as crianças que mais facilmente fazem amizade, pedem para brincar na casa do amigo e num vice-versa enchem a casa de novas pessoinhas? Pois é, porque não tive filhos eu nunca brinquei no parquinho, busquei crianças na porta da escola e tampouco me relacionei com outras mulheres na mesma situação.

Assim, ao longo da minha vida matrimonial fui me distanciando dos vizinhos. Se não ganhei neste intercâmbio também não consegui fugir dos pequenos aborrecimentos que uma convivência tão próxima pode trazer.

Mas, em matéria de aborrecimento, o prédio onde moro atualmente é campeão. Medalha de ouro em reclamação,

Já tive vizinho que reclamou do horário do meu banho antes de dormir (é sempre tarde), outro telefonou aos berros dizendo que 23:00hs não era horário para arrastar móveis (eu estava sentada na sala de televisão e posso garantir que não tenho força ou ânimo para tal atividade), por guardar 3 carros na garagem (que culpa tenho se meus carros são pequenos e tenho a única garagem do prédio com espaço suficiente?), outro queria saber se eu usava sapatos de salto. Um dia, o sindico ligou pedindo para marcar um horário para uma visita porque queriam identificar qual apartamento tinha um chuveiro barulhento. Respondi: a única cueca que entra dentro do meu banheiro é a do meu marido. E ponto final.

Com todo este histórico, como explicar esta paixão enorme pelo meu vizinho? Primeiro, um susto terrível. Depois, perceber que existe um fascínio que ultrapassa as barreiras, quebra todos os meus preconceitos e mostra que sim, eu posso ter um relacionamento com o meu vizinho. Hoje, tenho momentos de felicidade quando sei que ele está perto. Sempre desejo mais e mais a sua presença. Esta paixão me mostrou como deveria ser sempre a minha vida.

Escandalizada com esta confissão pública? Explico melhor: ganhei um novo vizinho, do qual não sei o nome e nunca vi o rosto. Mas ele é músico profissional e pelo menos duas vezes ao dia dedica-se aos seus estudos no piano. É um prazer enorme escutar a sua música e se não sou uma conhecedora profunda de estilos musicais – para mim existe o que eu gosto e o que eu acho ruim - posso garantir que tenho tido momentos únicos neste início de outono.

Espero que ele continue esta rotina apesar de já ter tido notícias de que tem vizinho reclamando ... Aff, ninguém merece!!!

11 comentários:

✿ chica disse...

Putz, essa história de vizinhos e danada! Graças à Deus, aqui tenho ótimos, mas já tive cada booooooomba!!!

E tomara que esse teu não se incomode com os chatonildos de plantão e que possa te dar prazer de ouvi-lo... beijos,chica

Rovênia disse...

Que vizinho bacana! Também queria ter um som desse invandindo a minha casa. Pensando bem, graças a Deus, moro em casa. Clara e Bruna seriam motivo para os vizinhos me odiarem. Uma canta e fala demais. A outra chora, chora por tudo, até quando está feliz. E eu adoro salto! Beijinhos!

Anônimo disse...

Querida Beatriz! É sempre um prazer enorme ler seus posts tão bem redigidos. Pois se eu fosse sua vizinha e vizinha desse vizinho tão encantador, eu deixaria um elogio ENORME no mural do prédio (se não tiver mural, elevador ou portaria tb servem!). Assim, os chatos que reclamam teriam a oportunidade de encarar de forma diferente o motivo da reclamação. Um grande abraço de uma leitora que escreve pouco mas sempre te visita! Celma.

Maria Eduarda disse...

Beatriz,
A convivência com vizinhos é sempre difícil, mas agora você está com sorte! Aproveite esses momentos maravilhosos da música.
Particularmente, eu nunca tive problemas com vizinhos, sempre morei em prédios com poucos apartamentos e em 2006 casei com meu vizinho...rs
Sempre visito seu blog, qu gosto tanto.
Abraços, Maria Eduarda

Pri disse...

Por isso nunca morei em apartamento.
É como se a casa não fosse sua.
Mas que privilégio esse moço tocando piano perto de você. E precisa entender de música clássica? Eu também não entendo. Precisa é admirar. Você tá certa. ♥
Beijinhos.

LEONOR MARIA LÈO disse...

...beatriz, no seu ovo cabe mais alguém ? tb que ro ouvir esse vizinho abençoado...boa sorte e um abraço fraterno

Juliana Kimura disse...

Não acredito que ainda tem vizinho reclamando.. Queria ver se fosse alguém aprendendo bateria! rs que delícia, no meu prédio antigo o vizinho da frente era professor de piano, sempre escutava também :) é uma delícia!

Maria Amélia disse...

Muito bom. Adorei.

Regina Melo-Jocknevich disse...

Deliciosa sua crônica Beatriz.
Hoje eu não moro em prédio, mas vou dizer uma coisa, eu adoro a minha casa mas se eu pudesse 'pegá-la e levá-la' para outro lugar, ah eu faria. Muitas vezes tenho vontade de morar em um lugar deserto, sem vizinhos nenhum por perto.

Aproveite seu novo vizinho enqto pode, pois pelo o q você descreveu logo, logo alguém vai começar a reclamar.

Ninguém merece...

simplesmente....fascinante disse...

Bom dia Beatriz,
sim ...é difícil agradar gregos e troianos.
Tomara que esse vizinho continue com seu barulho delicioso.
Acho que tem vizinho chato em qualquer lugar, já tive e tenho os meus.
bjão que sua segunda seja embalada ao som do piano do vizinho.
Mari

Nina disse...

aahhhh ta! esse tipo de caso a gente deixa acontecer :-)

ainda bem que ele é um musico ne? se fosse como o meu, que anda treinando trombone, cruz credo, é um horror...